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Ivanildo Martins Gonçalves

O Poeta, a Carta e a Serra

XXV Coletânea de Contos e Poesias - 2015

Ontem eu estava lendo e meditando sobre sua carta, como iria respondê-la, enquanto uma terrível tempestade caía sobre a minha cidade! O vento uivava violentamente, tal qual um animal raivoso. Cheguei mesmo a me amedrontar...
E não era um medo infundado, na verdade o que eu temia mesmo, não era a fúria absurda com que a chuva forçava minhas janelas como que querendo abri-las a força, à semelhança de um estuprador sobre a moça indefesa! Eu não temia a tempestade, tanto quanto eu temia responder a sua carta...
Após uma hora, mais ou menos, amenizou, mas ainda caiu uma chuva fina por horas consecutivas. Por várias vezes ouvi as sirenes de ambulâncias, bombeiros e do resgate, que rapidamente cruzavam a avenida principal.
Adormeci pensando naquela carta e ouvindo a canção da chuva junto ao vento que se abrandou em leve brisa. Depois de desistir ante o fracasso da violência, a chuva batia com carinho na minha janela, como que pedindo abrigo.
Acordei de manhã, antes que meu despertador soasse, ouvindo um leve gotejar formado pela chuva fina que escorria pelas calhas do telhado. Soltei um suspiro profundo, pensei em como estaria verdejante o alto da serra e lembrei-me de você.
Veio-me à memória aquela carta, mas recusei-me a pensar nela nessa hora! Apenas pensava na serra... Sempre que passar por aquela serra, lembrar-me-ei de você, pois todos os lugares por onde sei que você passou me lembram você! Se eu pudesse não deixaria que ninguém tocasse nada que você tocou. Tudo me seria sagrado!
Uma peça de roupa que conserva o cheiro seu, me é muito valiosa! Valiosas me são todas as lembranças, porque de certa forma mantêm você aqui juntinho de mim.
Pudera eu escrever mais e estenderia esse texto por muitas páginas, apenas a falar do que se passa pelos meus momentos de saudade. Momentos de carência do seu sorriso, da sua voz, dos seus gestos e trejeitos.
Carência de você!
Você que, segundo aquela triste carta, aguarda que tudo se desfaça na erosão do tempo. Tempo que é como o vento, que lentamente dissolve a montanha e transporta seus fragmentos para outro lugar.
Para onde o tempo transportará os fragmentos dessa paixão?
Só o tempo poderá nos dizer!
Que um vento, amigo viajante de longas distâncias, possa levar  aos seus doces lábios os meus beijos carentes, enfeitiçados pelo verde da serra...
E pela pureza sagrada do meu amor!
E essa sua carta... Será lançada ao tempo!

 

  

 

 

 

 

 

 

 

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